A expectativa às vezes não é boa
companhia. Esperamos muito de algo que nem temos certeza da realização, mas nem
sei se isso pode se chamar de expectativa ou de esperança.
Planejei muito e estava um tanto
quanto ansiosa com a possibilidade da colocação de um balão intragástrico para
me auxiliar na perda de peso. Quando finalmente chegou o grande dia, tudo
arrumado, as despesas pagas, encaminharam-me ao o centro cirúrgico com a
informação de que o procedimento duraria um a hora e que em no máximo duas
horas eu já estaria liberada.
Quando o efeito da anestesia
passou eu estava praticamente sem voz e com muita dor em minha garganta,
percebi que as horas se passavam e não me liberavam, alegando que o médico
queria conversar comigo. Pois bem, após quatro horas de espera pelo médico,
finalmente me liberaram do pós-operatório, após o meu esposo exigir me ver, e o
surpreendente é que pediram para que eu me alimentasse (o que em tese, não
poderia ser feito, após a colocação do balcão intragástrico) e esperasse para
conversar com o médico que ainda estava em outra cirurgia. Achei estranho, mas
resolvi acompanhar meu marido até uma lanchonete, apesar do hospital não ter me
oferecido o lanche que deveria ser servido, considerando o absurdo pago pela
internação.
Assim que chegamos à lanchonete
meu marido, me olhando de maneira estranha, perguntou-me se eu estava notando
algo diferente e eu respondi: “Sim, não estou percebendo nenhum volume no meu
estômago”. Aí ele disse: “É porque não conseguiram terminar o seu procedimento,
você não está com o balão intragástrico no seu estômago”. Fiquei chocada e ao
mesmo tempo muito decepcionada com a informação. Ele me explicou que, embora o
médico tenha lhe dado a informação de que não havia nada de errado comigo, não
conseguiram introduzir o balão por via endoscópica, o que ocasionou lesões em
minha garganta (informação que somente conseguiu após ficar feito doido
tentando ter notícias minhas).
Na hora em que recebi a notícia,
fiquei muito triste, pois eu esperava muito que o procedimento desse certo. Mas
mais do que triste, eu fiquei muito decepcionada com a equipe médica que me
deixou no escuro sem saber o que estava acontecendo de errado e mais ainda pelo
descaso com minha família, que esperava que eu saísse da cirurgia em 02 horas e
somente fui liberação após 05 horas.
Quando enfim consegui conversar
com o medido, ele me mostrou o balão (que inclusive ainda tinha o sangue
decorrente das lesões em minha garganta), e disse que o devolveria à empresa
responsável por sua fabricação e eu seria reembolsada futuramente pela empresa
e quando eu o questionei sobre o ocorrido, disse apenas que não sabia o que
havia acontecido e que na endoscopia realizada em mim antes da cirurgia, estava
tudo ok, não havia nada obstruindo a passagem do endoscópio.
Hoje, após um dia do
“procedimento”, estou mais conformada com o ocorrido e prefiro acreditar que se
não deu certo foi para o meu bem. Mas a expectativa que criei em tono desse
fato, acreditando que o balão seria meu aliado na perda de peso, me deixou
muito frustrada.
Mas o mais frustrante de tudo
isso, foi a maneira como toda a questão foi conduzida pela equipe do hospital,
pois tive a impressão que, como a embalagem do balão foi aberta somente na sala
de cirurgia, verificaram que algo não estava certo, mas mesmo assim, tentaram o
procedimento. E enquanto isso, dá-lhe remédio para a garganta e esperança de
que não ocorra nada grave em razão das lesões ocasionadas. Eis meu desabafo!