quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Desabafo!


A expectativa às vezes não é boa companhia. Esperamos muito de algo que nem temos certeza da realização, mas nem sei se isso pode se chamar de expectativa ou de esperança.
Planejei muito e estava um tanto quanto ansiosa com a possibilidade da colocação de um balão intragástrico para me auxiliar na perda de peso. Quando finalmente chegou o grande dia, tudo arrumado, as despesas pagas, encaminharam-me ao o centro cirúrgico com a informação de que o procedimento duraria um a hora e que em no máximo duas horas eu já estaria liberada.
Quando o efeito da anestesia passou eu estava praticamente sem voz e com muita dor em minha garganta, percebi que as horas se passavam e não me liberavam, alegando que o médico queria conversar comigo. Pois bem, após quatro horas de espera pelo médico, finalmente me liberaram do pós-operatório, após o meu esposo exigir me ver, e o surpreendente é que pediram para que eu me alimentasse (o que em tese, não poderia ser feito, após a colocação do balcão intragástrico) e esperasse para conversar com o médico que ainda estava em outra cirurgia. Achei estranho, mas resolvi acompanhar meu marido até uma lanchonete, apesar do hospital não ter me oferecido o lanche que deveria ser servido, considerando o absurdo pago pela internação.
Assim que chegamos à lanchonete meu marido, me olhando de maneira estranha, perguntou-me se eu estava notando algo diferente e eu respondi: “Sim, não estou percebendo nenhum volume no meu estômago”. Aí ele disse: “É porque não conseguiram terminar o seu procedimento, você não está com o balão intragástrico no seu estômago”. Fiquei chocada e ao mesmo tempo muito decepcionada com a informação. Ele me explicou que, embora o médico tenha lhe dado a informação de que não havia nada de errado comigo, não conseguiram introduzir o balão por via endoscópica, o que ocasionou lesões em minha garganta (informação que somente conseguiu após ficar feito doido tentando ter notícias minhas).
Na hora em que recebi a notícia, fiquei muito triste, pois eu esperava muito que o procedimento desse certo. Mas mais do que triste, eu fiquei muito decepcionada com a equipe médica que me deixou no escuro sem saber o que estava acontecendo de errado e mais ainda pelo descaso com minha família, que esperava que eu saísse da cirurgia em 02 horas e somente fui liberação após 05 horas.
Quando enfim consegui conversar com o medido, ele me mostrou o balão (que inclusive ainda tinha o sangue decorrente das lesões em minha garganta), e disse que o devolveria à empresa responsável por sua fabricação e eu seria reembolsada futuramente pela empresa e quando eu o questionei sobre o ocorrido, disse apenas que não sabia o que havia acontecido e que na endoscopia realizada em mim antes da cirurgia, estava tudo ok, não havia nada obstruindo a passagem do endoscópio.
Hoje, após um dia do “procedimento”, estou mais conformada com o ocorrido e prefiro acreditar que se não deu certo foi para o meu bem. Mas a expectativa que criei em tono desse fato, acreditando que o balão seria meu aliado na perda de peso, me deixou muito frustrada.
Mas o mais frustrante de tudo isso, foi a maneira como toda a questão foi conduzida pela equipe do hospital, pois tive a impressão que, como a embalagem do balão foi aberta somente na sala de cirurgia, verificaram que algo não estava certo, mas mesmo assim, tentaram o procedimento. E enquanto isso, dá-lhe remédio para a garganta e esperança de que não ocorra nada grave em razão das lesões ocasionadas. Eis meu desabafo!

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